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Vazamento de Dados Biométricos: O Caso Unico Contra a Serasa e o Que Muda Para o Consumidor

4 min de leitura·04 de agosto de 2026·Fontinni Assessoria
Vazamento de Dados Biométricos: O Caso Unico Contra a Serasa e o Que Muda Para o Consumidor

Um dos maiores escândalos envolvendo dados pessoais no Brasil veio à tona em junho de 2026. A Unico, empresa brasileira de identidade digital avaliada em US$ 2,6 bilhões, entrou com ações cíveis e criminais contra a Serasa Experian — um dos maiores birôs de crédito do país — acusando a companhia de roubo de dados biométricos e concorrência desleal.

O que está em jogo

Segundo a investigação, a Serasa teria acessado ilegalmente a tecnologia de reconhecimento facial da Unico por meio de um intermediário, a Skill Tecnologia. Esse acesso teria ocorrido por um canal seguro que era destinado exclusivamente ao Banco do Brasil — cliente legítimo da Unico. Na prática, a Serasa estaria usando um "atalho" para realizar consultas biométricas sem autorização.

Uma perícia forense independente contratada pela Unico identificou aproximadamente 1,4 milhão de transações fraudulentas. Grandes bancos confirmaram que as consultas irregulares partiram da Serasa e de sua subsidiária ClearSale. A estimativa é que dados de até 22 milhões de brasileiros possam estar envolvidos no caso.

Por que isso é grave

Dados biométricos — como o reconhecimento facial — são classificados como sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Diferente de um CPF ou endereço que podem ser alterados, sua biometria é permanente. Uma vez comprometida, não há como "trocar" seu rosto.

Além disso, sistemas modernos de inteligência artificial aprendem com cada transação. O uso fraudulento desses dados pode ter contribuído para aprimorar algoritmos da Serasa de forma indevida — uma "inteligência roubada" difícil de reverter. Isso significa que a empresa concorrente pode ter se beneficiado comercialmente usando dados obtidos de forma ilícita.

A acusação se baseia em dois pilares: concorrência desleal e violação da LGPD. O caso incluiu operação de busca e apreensão autorizada pela Justiça, o que indica a seriedade das evidências apresentadas.

O que o consumidor precisa saber

Este caso expõe uma realidade preocupante: a enorme quantidade de dados pessoais concentrada em poucas empresas — justamente aquelas que controlam o acesso ao crédito no país. Também levanta questões sobre quem vigia essas instituições e como o consumidor pode se proteger.

A Serasa Experian negou as acusações e afirmou que cumpre todas as leis aplicáveis. O caso agora corre na Justiça e deve estabelecer precedentes importantes para a proteção de dados no Brasil.

Enquanto o desfecho não chega, o consumidor pode tomar medidas práticas: monitore regularmente seus relatórios de crédito para detectar consultas não autorizadas, exerça seu direito de acessar gratuitamente seus dados nos birôs e questione qualquer informação que não reconheça.

Se você encontrar restrições ou consultas indevidas no seu nome, saiba que a lei está do seu lado. A Fontinni é especializada em identificar irregularidades nos cadastros de proteção ao crédito e atuar judicialmente para retirar restrições indevidas do seu nome — com segurança e dentro da lei.

Fonte: Pipeline Valor / Globo, publicado em junho de 2026.

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