Fontinni Assessoria — Limpa NomeVoltar ao site
Voltar ao blog Jurídico

Serasa é processada na Justiça inglesa por vazamento de dados de 220 milhões de brasileiros

5 min de leitura·12 de julho de 2026·Fontinni Assessoria
Serasa é processada na Justiça inglesa por vazamento de dados de 220 milhões de brasileiros

A Serasa, uma das maiores empresas de análise de crédito do Brasil, virou alvo de uma ação coletiva na Justiça do Reino Unido. O escritório de advocacia inglês Mishcon de Reya ajuizou, em janeiro de 2026, uma demanda que busca compensação para brasileiros afetados pelo megavazamento de dados ocorrido em 2021 — um dos maiores incidentes de segurança da informação já registrados no país.

Segundo a ação, dados pessoais de aproximadamente 220 milhões de brasileiros foram expostos ilegalmente, incluindo CPF, endereços, telefones, e-mails, escolaridade, ocupação profissional, renda, salário e pontuação de crédito. Informações sensíveis de autoridades públicas, incluindo ministros do STF, também teriam sido comercializadas no mercado ilegal de dados.

Por que a ação corre na Inglaterra?

A estratégia jurídica escolhida pelo escritório britânico se apoia em um detalhe societário: a Serasa é controlada pela Experian, multinacional com sede e operações relevantes no exterior. Esse vínculo abre caminho para que a Justiça inglesa se declare competente para julgar o caso, mesmo o vazamento tendo afetado majoritariamente cidadãos brasileiros.

O pedido da ação é a compensação individual para as pessoas que ainda não buscaram reparação pela Justiça brasileira. Até o momento, mais de 25 mil pessoas manifestaram interesse em participar da demanda.

E no Brasil, o que aconteceu com o caso?

No território nacional, uma ação civil pública movida pelo Instituto Sigilo sobre o mesmo vazamento foi extinta por falta de legitimidade processual. O Ministério Público Federal (MPF), por sua vez, chegou a solicitar a aplicação de multa de R$ 200 milhões à empresa, além de indenização individual de R$ 30 mil por pessoa afetada. A apelação sobre esse processo ainda aguarda julgamento.

Esse contraste — uma ação brasileira travada na fase inicial e uma ação estrangeira avançando com força — ilustra um problema recorrente: vítimas de vazamentos de dados no Brasil enfrentam dificuldades reais para conseguir reparação rápida pelas vias tradicionais.

O que isso significa para empresas

Casos como esse reforçam um alerta que vale para negócios de qualquer porte: a exposição de dados pessoais de clientes, fornecedores ou colaboradores gera passivo jurídico de longo prazo, mesmo anos depois do incidente. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) não perdoa a falta de:

  • Mapeamento dos dados que a empresa coleta e armazena;
  • Controles de acesso e segurança da informação adequados ao volume de dados tratado;
  • Plano de resposta a incidentes, para agir rápido em caso de vazamento;
  • Base legal documentada para cada tratamento de dado pessoal.

Empresas que tratam dados de clientes — inclusive dados de crédito, renda e histórico financeiro — precisam tratar a conformidade com a LGPD como parte da gestão de risco do negócio, não como burocracia acessória.

Se a sua empresa lida com dados sensíveis de clientes e quer entender seus riscos e obrigações, a Fontinni pode ajudar a estruturar esse diagnóstico antes que ele vire um problema judicial.


Fontes: Migalhas — "Serasa é alvo de ação na Justiça inglesa por megavazamento de dados"

Precisa de ajuda para limpar seu nome?

Fale agora com um consultor da Fontinni. Análise gratuita do seu perfil de crédito — sem compromisso.

Falar com consultor pelo WhatsApp