O Banco Central divulgou em 1º de julho de 2026 um dado que confirma o que milhões de brasileiros já sentem no dia a dia: a inadimplência no crédito com recursos livres atingiu 6,2% em maio, subindo de 6,1% no mês anterior e batendo o nível mais alto desde o início da série histórica, em março de 2011.
Não é apenas um número. É o retrato de um país em que o custo do dinheiro está alto, os salários não acompanham a inflação e as dívidas crescem mais rápido do que a capacidade de pagá-las.
O que os dados do Banco Central revelam
Os segmentos que mais pesaram na piora foram:
- Crédito pessoal sem garantia: 14,2% — mais de 1 em cada 7 reais emprestados nessa modalidade está em atraso
- Financiamentos de veículos: 6,5%
- Empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado: 7,9%
Esse último número chama atenção porque o consignado privado é considerado uma das linhas mais seguras — as parcelas saem direto do salário. Mesmo assim, a inadimplência subiu. Isso acontece porque muitos trabalhadores estão comprometendo uma fatia grande demais da renda com parcelas, sem margem para imprevistos.
Os juros cobrados explicam parte do problema. No crédito pessoal sem garantia, a taxa chega a 142,7% ao ano. No consignado privado, cai para 54,1% ao ano — ainda assim, mais de quatro vezes a Selic atual de 14,25%.
Por que o Desenrola não foi suficiente
O governo lançou o Novo Desenrola no início de maio com o objetivo exatamente de reverter esse quadro: um programa de renegociação de dívidas com até R$15 bilhões em garantias da União, voltado para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.
Apesar disso, a inadimplência continuou subindo.
O próprio Banco Central reconhece que "medidas recentes que promovem a renegociação de dívidas de pessoas físicas tendem a reduzir a taxa de inadimplência nas linhas elegíveis nos próximos meses". Ou seja: os efeitos do Desenrola ainda não apareceram nos números — e, quando aparecerem, serão parciais.
Programas de renegociação ajudam quem consegue pagar com desconto. Mas para quem está sem renda ou com dívidas antigas, prescritas ou cobradas indevidamente, o caminho é diferente.
O que isso significa para quem está negativado
Se você está com o nome nos birôs de crédito, saiba que não está sozinho — e que existem saídas além da renegociação tradicional.
O cenário atual de inadimplência recorde revela uma realidade importante: grande parte das dívidas que negativam brasileiros tem problemas jurídicos — cobranças indevidas, juros abusivos, dívidas prescritas ou registros que já deveriam ter sido retirados.
Entender o tipo de dívida que está no seu nome é o primeiro passo. Alguns pontos a verificar:
- A dívida tem mais de 5 anos? Pode estar prescrita e, portanto, não pode mais ser cobrada judicialmente
- Você reconhece a dívida? Negativações indevidas por fraude ou erro de cadastro são mais comuns do que parecem
- O credor enviou notificação antes de negativar? A ausência de notificação pode invalidar o registro
- Você já pagou essa dívida? Credores que mantêm o registro após quitação podem ser acionados judicialmente
A diferença entre renegociar e retirar a restrição
Renegociar uma dívida e retirar a restrição do birô são coisas diferentes — e é aqui que muita gente se perde.
Quando você renegocia, assume um novo compromisso de pagamento. A restrição só sai quando você quita. Mas se a dívida tem vícios jurídicos — se é indevida, prescrita ou irregularmente registrada — é possível retirar a restrição por via judicial, independentemente de pagar.
É exatamente esse o trabalho da Fontinni: identificar qual caminho é o mais adequado para cada caso e agir com respaldo legal para devolver a você o acesso ao crédito.
O cenário vai piorar antes de melhorar?
O Banco Central sinalizou que a Selic deve permanecer em níveis restritivos para controlar a inflação. Com juros altos, o crédito fica mais caro e o risco de endividamento cresce. O estoque total de crédito no Brasil já chegou a R$7,3 trilhões em maio.
Para quem está endividado, esperar o cenário macroeconômico melhorar pode significar meses ou anos com o nome negativado, sem acesso a financiamentos, cartões ou contratos.
A alternativa é agir agora, com um diagnóstico claro do que está no seu nome e qual é a melhor estratégia para cada tipo de dívida.
Fonte: Banco Central do Brasil, dados de maio de 2026, divulgados em 01/07/2026. Reportagem original: Reuters/UOL Economia.

